Síndrome
de Wendy.
Havia nela uma vontade enorme de ser menina para
sempre, mas havia também um desejo ardente de vivenciar aquele sentimento
pertencente às mulheres. O problema (sempre há um, conforme-se) era seu
medo. Medo do sofrimento, das mágoas e
das decepções que – ela tinha certeza – o tal sentimento iria causar-lhe. E se
acabasse magoada, amargurada e fria? Não estava pronta para deixar de lado a
alegria, a doçura e a inocência infantis que faziam parte dela. Não estava
pronta para crescer. Não estava e não queria. Mas queria. Queria aquela coisa idealizada e certa, não
aquela cheia de erros e imperfeições. Queria aquele pacotinho bonitinho que
guardava lindas e agradáveis surpresas, não um embrulho disforme cheio de
lágrimas e tristezas. Queria os olhos brilhantes, não vermelhos e inchados.
Queria ver um mundo cor-de-rosa, não preto e branco. Queria o coração
acelerado, não partido. Queria apaixonar-se, não sofrer.
Marcela Castro