quarta-feira, 18 de abril de 2012



Síndrome de Wendy.

Havia nela uma vontade enorme de ser menina para sempre, mas havia também um desejo ardente de vivenciar aquele sentimento pertencente às mulheres. O problema (sempre há um, conforme-se) era seu medo.  Medo do sofrimento, das mágoas e das decepções que – ela tinha certeza – o tal sentimento iria causar-lhe. E se acabasse magoada, amargurada e fria? Não estava pronta para deixar de lado a alegria, a doçura e a inocência infantis que faziam parte dela. Não estava pronta para crescer. Não estava e não queria. Mas queria.  Queria aquela coisa idealizada e certa, não aquela cheia de erros e imperfeições. Queria aquele pacotinho bonitinho que guardava lindas e agradáveis surpresas, não um embrulho disforme cheio de lágrimas e tristezas. Queria os olhos brilhantes, não vermelhos e inchados. Queria ver um mundo cor-de-rosa, não preto e branco. Queria o coração acelerado, não partido. Queria apaixonar-se, não sofrer.

 Marcela Castro


Medo de me arrepender

Desde pequeno tenho medo de fazer algo errado e me arrepender no final, um medo que sempre me perseguiu. Quando vou fazer algo que pode dar errado, me pergunto se faço ou não, fico em dúvida e se faço sinto medo de me arrepender.
Um dia precisava contar um segredo para alguém, fiquei em dúvida se contava ou não e acabei contando, e acabei me arrependendo, mas tive que aguentar as consequências.
Há alguns segredos que eu contei, alguns me fazem me arrepender até hoje, outros nem tanto. Mas é melhor se arrepender pelo que fez e não pelo que não fez.

Arthur Estivalet

                          
Mudança

  Todo dia eu trazia dinheiro eu comprava algum lanche, alguma bebida... E uma balinha. Chegava o fim do dia e eu sempre comprava outra bala, só pra matar a saudade.
  Eu chegava ao dentista e logo vinha a minha surpresa. No fim das contas percebi que essas balas mais me prejudicavam do que me ajudavam, por isso resolvi parar. Agora, toda vez que eu mexo nos meus bolsos me deparo com a falta de alguma coisa, e me pergunto: Onde está? Cadê? Será que eu comprei?

         James N. Miyada


O perseguido

Mesmo sabendo que não há nada lá, sinto uma angustia, uma aflição, como se alguém me perseguisse. Olho para trás e vejo que não há ninguém, mas a solidão está comigo.
O não saber nos faz ficar alerta, cauteloso. Às vezes o medo não nos deixa fazer o que queremos, sentimos medo... Não fazemos. Tenho medo do medo que o medo me dá.

Flávia Bonomo Ambrosio


A rua sem ninguém tem alguém...

Ninguém na rua. Olhos na janela.
Sei que não tem ninguém, sei que tem alguém.
Sei que estou sozinha, mas a solidão está comigo.
A solidão que pressiona que esmaga que aterroriza.
As sombras se mechem em minha direção,
Os galhos rangem.
Ouço alguém atrás de mim.
Sei que está se aproximando.
Mantenho a calma ou grito o grito que está entalado na minha garganta?
Agora sinto a respiração de alguém na minha nuca. Estamos muito próximos.
Ouço um sonoro “Búúúúúú!” atrás de mim e respondo com um grito de terror.
Viro-me, ali vejo meu amigo que mora naquela rua e ao me avistar passando por ali veio conversar.

Letícia S. Marinho


Brincando de fingidor

Sem fórmulas ou receitas nos propomos a escrever. Contrariando a tendência da modernidade de fechar-se em si mesmo, buscamos nos colocar no lugar do outro e brincar de fingidor.
Este é o blog da oficina de leitura e escrita dos 8os e 9os anos do Colégio São Domingos. Aqui nos permitimos. Podemos ser quem somos e expressar nossos medos, buscas e anseios. Aqui exteriorizamos nossos pensamentos e o fazemos a partir de jogos descritivos e estilísticos. Queremos crescer como escritores, ampliar nossos horizontes e, acima de tudo, queremos aprender uns com os outros.

Apreciem nossas experiências. Comentem-nas. Inspirem-se.  

Profe. Vani

quarta-feira, 11 de abril de 2012